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OPINIÃO

A torcida de Lázaro - Por: Alexandre Garcia

A ciência que usam é fechada como um dogma; uma ciência que recusa a experiência, os fatos, a dúvida

Alexandre Garcia

Alexandre GarciaÉ jornalista, apresentador e colunista de política brasileira do site Gazeta do Povo. O Diário do País passa a reproduzir, na íntegra, suas colunas.

05/07/2021 09h35
Por: Diário do País
Fonte: Alexandre Garcia, jornalista

Testemunhamos tempos muito estranhos. Semana passada, quando o número de mortos por Covid chegou a 500 mil, para alguns foi como chegar a uma meta almejada, como em algum torneio mundial. O vírus parece ter uma grande torcida.

Na mesma semana, aparece no palco uma figura que se escafedera de Brasília para continuar suas aventuras financeiras na Flórida e voltou eleito deputado federal pelo DF com mais de 65 mil votos.

No entanto, encontrou uma torcida que lhe deu crédito, como se todos fossem ingênuos. Sua performance forneceu combustível à CPI que minguava em audiência. Até quem têm o ceticismo como dever profissional, cedeu à fraqueza da ingenuidade. Valores são postos de lado.

Na CPI, é como se recusássemos a memória, ter Renan Calheiros como relator e como presidente Omar Aziz, que nunca gaguejou tanto diante de um deputado amazonense.

Aliás, passou-se a adotar raciocínios que obliteram a razão e lógicas que amordaçam a lógica. Gente manifestamente alheia a um tema tem sido apresentada como especialista, a inventar regras. A ciência que usam é fechada como um dogma; uma ciência que recusa a experiência, os fatos, a dúvida. O contraditório é exorcizado com o rótulo de negacionismo. Agora veio o caso Lázaro a continuar a lógica da inversão de valores.

Significativamente, durante quase três semanas, ocupou o pódio no lugar dos neo-heróis da CPI. Matador de aluguel, jagunço ou psicopata homicida, já vinha aparecendo como o herói que humilha a polícia. Morto, tornou-se mais uma vítima da opressão da sociedade. Para a CPI, mais um alívio para poder resgatar a audiência perdida.

O italiano Cesare Battisti, asilado no Brasil, atirou num menino de 13 anos e o deixou paraplégico, e assassinou quatro. Lázaro matou o dobro. Battisti tinha torcida por aqui. Seria a mesma de Lázaro? Ainda bem que a maioria fica indignada com essa torcida que subestima a inteligência das pessoas. Uma torcida contra os valores e raízes de quem vive com ética, lei e ordem. Valores que ficam ao lado das vítimas e não dos bandidos.

 

Escrito por: Alexandre Garcia, jornalista

 

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