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RELIGIÃO & SOCIEDADE

Muito antes do “Superman” homossexual...

Muito antes de o Super-homem “sair do armário”, nossos problemas começaram quando passamos a praticar uma indiscriminada tolerância para com o pecado de nossos filhos — ou pior: quando abandonamos a própria noção de pecado.

01/11/2021 17h10Atualizado há 1 mês
Por: Diário do País
Fonte: Diário do País, com Padre Paulo Ricardo

[Este texto não é de autoria nem do Pe. Paulo Ricardo nem da Equipe Christo Nihil Praeponere, como se pode depreender do tom bastante pessoal com que foi escrito.]

Minha avó foi uma dessas pessoas que se converteu na idade adulta. Quando passou a conhecer a fundo a doutrina da Igreja, já havia criado todos os filhos. Por isso, na adolescência deles, se angustiou muito com a vida de pecado que levavam.

Seu filho mais novo, por exemplo, começou a namorar muito jovem e, como os demais de nossa época, tinha uma vida sexual ativa com a própria namorada. Minha avó sabia e não deixava de o advertir: dizia que aquilo estava errado, que aos olhos de Deus eles estavam no pecado etc. Seus conselhos, no entanto, só encontravam ouvidos moucos.

Um dia, porém, na sala da casa dela, meu tio decidiu estender um colchão em frente à TV, para ele e a namorada deitarem. A ideia era só essa mesma, e nada aconteceu além disso. Mas minha avó não podia deixar aquilo passar. (A essa altura, nem é preciso dizer que, para ela, era simplesmente impensável permitir que seu filho e a namorada dormissem juntos dentro de sua casa. Isso não era sequer uma hipótese.)

Voltando à história. Depois que a namorada de meu tio já tinha saído, minha avó e meu avô chamaram o meu tio num canto e lhe disseram o seguinte: “Olha, meu filho, nós já lhe dissemos várias vezes que não está certo o jeito que você e sua namorada estão namorando… Vocês estão fora da lei de Deus e nós sabemos disso. Mas dentro da nossa casa nós exigimos respeito. Nunca mais faça o que você fez hoje.”

Minha avó e meu avô nunca mais precisaram tocar no assunto. À época, meu tio continuou namorando errado — mas na casa dela os limites estavam bem claros. 

* * *

Lembrei-me dessa história hoje, enquanto lia o triste episódio da retaliação que sofreu um jogador brasileiro de vôlei por protestar contra o Superman “bissexual” nas histórias em quadrinhos. A única coisa que ele fez foi publicar um print da notícia em sua rede social, com o seguinte comentário: “A [sic] é só um desenho, não é nada demais. Vai nessa que vai ver onde vamos parar…”. Como resposta a sua manifestação, o clube onde ele joga decidiu afastá-lo, multá-lo e ainda pedir uma retratação pública de sua parte.

O episódio é lamentável porque ilustra muito bem o clima ditatorial em que nos encontramos. Não é mais permitido às pessoas ter e manifestar uma opinião diferente da que é propagada pela mídia e pelas instituições em geral. Qualquer mínima divergência é imediatamente recriminada, punida, silenciada.

O caso em questão diz respeito diretamente a nós, que seguimos Nosso Senhor Jesus Cristo e a doutrina moral católica. A Bíblia, por exemplo, está repleta de passagens condenando a prática homossexual. Vão censurar também a ela? Até quando os cristãos e suas posições terão lugar no “Admirável Mundo Novo” que está sendo forjado por nossos magistrados, jornalistas e engenheiros sociais?

* * *

Ao mesmo tempo, porém, “o buraco é mais embaixo”, como se costuma dizer. A um primeiro olhar, a história que contei de minha avó não tem nada a ver com o caso do “Super-homo”. 

Mas a verdade é que o problema que estamos examinando tem bem pouco a ver com a homossexualidade e seus praticantes. O grande mal mesmo começa lá atrás, quando os cristãos começaram a praticar uma indiscriminada tolerância para com o pecado de seus filhos. Pior: quando começaram a abandonar a própria noção de pecado. 

Primeiro foram as novelas, que introduziram em nossas casas o divórcio e a ideia de que não é preciso casar para se relacionar sexualmente com outra pessoa. A tudo isso nossos antepassados assistiram impassíveis, permitindo que as imagens nas telas penetrassem a mente de seus filhos para sempre. Eis a educação que a maior parte de nossas gerações passadas recebeu.

Depois vieram os programas indecentes de domingo à tarde, uma pornografia soft, destinada a educar os homens para a “sacanagem” e as mulheres para a completa imodéstia no vestir. Também contra isso, nossos pais nada falaram. 

Agora temos a internet, e o que antes se ministrava em gotas se converteu numa verdadeira enxurrada. Depois de toda a dessensibilização moral que sofreram nossos antepassados, agora um pai de família não consegue nem mesmo “torcer o nariz” para um herói dos quadrinhos que decidiu “sair do armário”.

É claro que, no meio de tudo isso, há vários outros fatores em ação, como nosso sistema educacional falido, repleto de ideias progressistas e irreligiosas; o abandono da moral católica por grande parte do clero; e uma virulenta ocupação de espaços e postos de poder por pessoas que, literalmente, se crêem acima do bem e do mal.

A primeira pedra que rolou lá em cima, porém, e deu origem a toda essa avalanche, foi justamente o abandono da sadia moral católica. Porque nos fechamos muito tempo atrás à Palavra de Deus, que estabelece na própria natureza das coisas o que é certo e o que é errado, agora nossas mãos estão atadas diante dos poderes deste mundo, que tomaram o lugar de Deus e determinam agora, a seu bel-prazer, o que é bom e o que é mau, o que se pode dizer e o que não se pode.

Antes do Superman, portanto, muita água já passou debaixo da ponte. Você mesmo talvez tenha escutado a história de minha avó e achado um exagero a reação dela à “aventura” do meu tio… Mas eram atitudes como a dela que nos impediam de chegar ao estado em que nos encontramos hoje.

 

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