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AUTOMOTOR

Paíto Motors: não existe crise na maior loja de superesportivos do Brasil

Nos 17 anos de existência, a Paíto já comercializou mais de 10.000 modelos e, no que depender de Paíto e de seus clientes, vem muito mais por aí. A nova meta do vendedor é trazer um exemplar do Bugatti Chiron para o Brasil.

05/09/2020 08h53
Por: Diário do País
Fonte: Diário do País, com QUATRO RODAS
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Araras é um pequeno município do interior paulista que fica a 150 km da capital. A cidade, que tem cerca de 130.000 habitantes, é a localização de uma das maiores lojas de carros superesportivos do mundo, a Paíto Motors, que, desde 2003, trabalha somente com o mercado premium e superpremium de automóveis.

São 5.000 metros de área de terreno e 3.000 metros de área construída. A loja conta com tudo o que você imagina, desde centro estético para preparação dos carros e heliponto até um estúdio especialmente projetado para fotografia automotiva.

Um perfumista desenvolveu o aroma que exala no sistema de ar-condicionado exclusivamente para a loja. Ao todo, são 36 funcionários na operação. A loja conta ainda com seis caminhões guincho fechados, com plataforma sider para as entregas.

O estoque é dividido em dois espaços, o primeiro para carros premium. Se você quer um Audi RS6, Mercedes-AMG C63, BMW M3, Porsche Cayenne, ou até mesmo um BMW X1Blindado seminovo em ótimas condições, é ali que vai encontrar.

Agora, se você procura algo único, exclusivo, de baixa produção e que ultrapasse os 300 km/h, é melhor entrar no outro showroom: o dos superesportivos. E se prepare para cair da cadeira. Não tem como não ficar impressionado.

No salão fechado, com um bar central, se encontram os carros mais caros, raros e rápidos que existem. Porsche GT2, GT3 ou até mesmo um ultraexclusivo 918? Lá você vai encontrar. Ferrari? Pode escolher, tem a 488 Pista, 599 GTB, F12 ou até uma Testarossa vintage.

Se estiver atrás de um Lamborghini, você pode escolher a cor. Se é apreciador de carros ingleses tem também algumas McLaren ali no canto. Prefere SUV? Vá de G63 da Mercedes-AMG. Mas se precisar de um sedã de alto luxo, talvez um Bentley lhe caia bem.

Agora, se o carro que você quer não estiver no showroom, não tem problema, a loja importa para você. E promete a entrega em tempo recorde. Foi o que aconteceu com o Porsche 918 (das cinco unidades desse modelo existentes no Brasil, a Paíto trouxe duas) e o Lamborghini SVJ, que vieram de avião.

A loja também importou carros elétricos da Tesla e até um Bentley Bentayga, o primeiro a desembarcar por aqui, até onde se tem notícia. Mas atenção: recuperado da visão das máquinas todas juntas, você vai precisar de outro tipo de fôlego para sair dali com seu brinquedo novo.

Estamos falando de carros que partem de R$ 800.000 e ultrapassam os R$ 2.000.000, com a mesma velocidade que alcançam nas pistas. A Paíto já recebeu barco, imóvel e até helicóptero como pagamento de alguns bólidos. Além de outros carros que entram na troca. “Estamos aqui para atender o cliente e fazer negócio”, diz o dono, Paíto.

A loja e as histórias que se passam dentro dela podem parecer ficção para muitos. Mas não é. O mercado de luxo no Brasil sempre foi reconhecido como um dos maiores do planeta. Aqui vende-se mais Ferrari e Porsche que na grande maioria dos mercados do mundo, segundo especialistas que acompanham o mercado.

E se você acha que com a pandemia os negócios entraram em crise, está redondamente enganado. Este ano, uma marca como a Porsche do Brasil teve um crescimento de 90% comparado ao mesmo período de 2019 no Brasil. 

 

A BMW vendeu todas as nove unidades do M8 Gran Coupé First Edition, que vai trazer para o Brasil, na abertura da pré-venda. Preço? R$ 1.150.000 (veja o carro na página 114). E o mesmo aconteceu com a Mercedes-AMG em relação ao AMG GT, que terá cerca de dez unidades importadas para cá. Detalhe: esse carro só chega em 2021.

A Paíto Motors teve um crescimento de 30% nas vendas este ano. E a explicação de Paíto Boldrin é simples. Ele acredita que o consumidor de um carro superexclusivo tem um perfil conservador e sempre protela esse tipo de investimento, mas, com a pandemia, seu modo de enxergar a vida mudou, ele quer viver o agora, curtir, realizar seu sonho antes que seja tarde demais.

Esse cliente, porém, quer muito mais do que um carro novo em uma loja linda. Para atendê-lo, é preciso estar atento a todos os detalhes possíveis e imagináveis. E é aí que a Paíto Motors se destaca, segundo o proprietário, que diz tratar seus clientes como amigos e o pós-venda é algo levado a sério. O serviço vai desde zelar pela manutenção dos carros até o socorro para o carro e para o cliente em uma necessidade.

Os clientes se tornam tão fiéis que é muito comum ver carros que foram vendidos pela Paíto voltando ao estoque da loja, tempos depois, como parte do pagamento de um outro modelo novo. Paíto Boldrin é reservado, mas ele conhece o gosto, a preferência e as manias de cada um.

Ele sabe, por exemplo, que há os colecionadores que chegam a comprar 20 carros por ano, e os que trocam de automóvel com frequência. Um deles chegou a fazer isso 18 vezes no ano.

Para entender um pouco mais sobre essa miragem no meio de uma pequena cidade do interior, é preciso conhecer seu criador. Com 41 anos atualmente, Paíto trabalha há 18 no mercado de carros “diferentes”.

Seu pai é do ramo de automóveis, trabalhando há 55 anos em diferentes concessionárias de marcas como Mitsubishi, Ford e Fiat. Depois que se formou em administração, na Universidade Mackenzie, em São Paulo, Paíto estagiou em praticamente todos os setores do comércio de veículos, segundo ele, antes de voltar para Araras e iniciar o seu negócio.

“Nunca tive um carro que não estivesse à venda”, afirma. “O primeiro carro que meu pai me deu, encontrei um comprador e não pensei duas vezes”, lembra. “Ele ficou chateado, mas depois reconsiderou porque viu que fiz um bom negócio.”

Depois, com o capital que veio da venda do carro do irmão, ele começou a comprar e vender automóveis para os amigos. O primeiro carro exótico veio em 2002, um Porsche Boxster1997. “Vendi tudo o que eu tinha e ainda fiquei devendo.

” Aos poucos, o negócio foi crescendo e em 2003 nasceu a Paíto Motors, em um imóvel emprestado do pai. A loja começou a funcionar, sempre focando em carros um pouco diferentes para o padrão da cidade.

 

Em 2004, veio a primeira Ferrari, uma Modena 360 vermelha ano 2001, o dono era de Campo Grande, e o carro ficava em São Paulo para ele passear nos finais de semana. “Também fizemos um esforço financeiro enorme, mas conseguimos comprá-la e as coisas foram acontecendo com o volume de veículos vendidos crescendo, carros cada vez mais exóticos.”

Nos 17 anos de existência, a Paíto já comercializou mais de 10.000 modelos e, no que depender de Paíto e de seus clientes, vem muito mais por aí. A nova meta do vendedor é trazer um exemplar do Bugatti Chiron para o Brasil.

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